Pedro Álvarez-Cifuentes (Oviedo, 1984) é Doutor em Filologia Românica e Prémio Extraordinário de Doutoramento pela Universidade de Oviedo, com uma tese sobre a Crónica do Imperador Beliandro, um romance de cavalarias atribuído à pena de D. Leonor Coutinho de Távora, condessa da Vidigueira. É licenciado em Filologia Românica (2007) e Filologia Hispânica (2009) pela Universidade de Oviedo e em Filologia Portuguesa (2011) pela Universidade de Salamanca. Na atualidade, trabalha como docente e investigador no Departamento de Filologia Clássica e Românica da Universidade de Oviedo, tendo vindo a desenvolver os seus estudos no âmbito da Literatura Portuguesa dos séculos XVI e XVII, com especial atenção à receção dos livros de cavalarias entre o público feminino e ao bilinguismo literário luso-espanhol.
Através da penumbra dos séculos, os livros de cavalarias ainda são capazes de atrair e cativar o público atual. As Partes I e II da Crónica do Imperador Beliandro, atribuídas a D. Leonor Coutinho de Távora, condessa da Vidigueira (†1648), constituem um singular epígono do género cavaleiresco em Portugal. Apesar do seu carácter incompleto e de não ter conhecido uma versão impressa até aos nossos dias, a Crónica do Imperador Beliandro teve uma considerável difusão manuscrita, que abrange várias dezenas de cópias sobreviventes. O romance de D. Leonor Coutinho desenvolve o longo conflito (de cariz sentimental, militar, e até diplomático) entre os príncipes Belifloro da Grécia e D. Belindo de Portugal, enfrentados pelo amor da belle dame sans merci Leridónia, filha única do rei de França. A corte do imperador Beliandro desempenha um papel fulcral na construção da trama narrativa, remotamente inspirada na queda de Constantinopla às mãos dos otomanos em 1453.
Rica em labirintos intertextuais e reflexos especulares, a Crónica do Imperador Beliandro apresenta um ambicioso elenco de princesas encantadas, cavaleiros à procura de fortuna, namorados infelizes, feiticeiros, imperatrizes flamengas, reis mouros, donzelas mensageiras, gigantes, anões e um mirabolante bestiário. Entre tantos heróis de nações lendárias, a introdução de um protagonista de origem lusitana, o melancólico D. Belindo, fez suspeitar no crítico Ettore Finazzi-Agrò uma certa homenagem ao orgulho nacional português, no contexto da Restauração de 1640. A união nupcial de D. Belindo e a princesa Leridónia (isto é, a aliança dos lises de França com as quinas de Portugal) instauraria uma nova idade de ouro.
Continua com este volume a coleção de Material de apoio à leitura de O Universo de Almourol, cujos conteúdos completam o conhecimento dos livros de cavalarias portugueses dos séculos XVI e XVII. A estrutura destes guias é organizada tendo como modelo a conhecida coleção de textos cavaleirescos do Centro de Estudios Cervantinos, hoje Instituto Universitario de Investigación Miguel de Cervantes da Universidade de Alcalá: uma breve introdução, um resumo do argumento capítulo a capítulo e um dicionário de personagens, de objetos mágicos e de lugares e seres maravilhosos.
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